Viabilidade Econômica de Sistemas Agroflorestais com Café Arábica na Microrregião Caparaó Capixaba, Sul do Estado do Espírito Santo
DOI:
https://doi.org/10.21664/2238-8869.2026v15i1.8364Palavras-chave:
cafeicultura sustentável, ; sistemas integrados, análise financeira, conservação ambiental, desenvolvimento ruralResumo
Os sistemas agroflorestais têm se consolidado como uma abordagem inovadora para a produção agrícola sustentável, integrando de forma harmoniosa cultivos alimentares, espécies arbóreas e criação animal. Na região do Caparaó - ES, localizada no sul do Espírito Santo, estes sistemas adquirem especial relevância por conciliar a produção agrícola com a conservação dos remanescentes de Mata Atlântica, bioma prioritário para preservação. O presente estudo teve como objetivo principal avaliar a viabilidade econômica da produção agroecológica integrada em sistemas agroflorestais com cultivo de café em sete propriedades rurais participantes do programa Reflorestar, adotando uma abordagem metodológica que combinou técnicas qualitativas, incluindo entrevistas semiestruturadas com técnicos e produtores, com análises quantitativas baseadas em indicadores financeiros como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Relação Benefício/Custo (B/C). Os dados foram coletados durante o período de 2019 a 2024. Os principais resultados revelaram que, após um período inicial de investimento (2-4 anos), todos os SAFs atingiram patamares de rentabilidade robustos e sustentáveis no médio e longo prazo (horizonte de 30 anos). A viabilidade financeira foi consolidada a partir do 4º ao 6º ano, com indicadores finais notáveis: a TIR estabilizou-se em patamares entre 20,10% e 102,17%, o VPL variou de R$ 22.044,18 a R$ 175.140,49, e a relação B/C manteve-se entre 1,15 e 3,04, superando amplamente os retornos de sistemas convencionais. A diversificação da produção (café, banana, palmito, frutas nativas) mostrou-se decisiva para a resiliência econômica, amortecendo custos iniciais e garantindo múltiplas fontes de renda. Entrevistas com produtores destacaram a importância da escolha de variedades de café mais rústicas (como Arara) para reduzir custos, bem como desafios logísticos na comercialização de frutos perecíveis e na necessidade de manejo adequado de espécies consorciadas, como a banana. Os Sistemas Agroflorestais com café arábica são economicamente viáveis e representam uma alternativa superior aos modelos convencionais na região do Caparaó, conciliando alta rentabilidade financeira com benefícios ambientais e sociais. A plena potencialização deste modelo depende de um planejamento técnico rigoroso na seleção de espécies, acesso contínuo à assistência técnica especializada e do fortalecimento de canais de comercialização para os produtos diversificados, recomendando-se sua adoção e ampliação como estratégia de desenvolvimento rural sustentável.
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