Efeito Residual do Herbicida Glifosato sobre a Germinação de Sementes de Feijão em Condição de Campo e Ambiente Controlado
DOI:
https://doi.org/10.21664/2238-8869.2026v15i1.8517Palavras-chave:
Phaseolus Vulgaris, herbicida, dessecação, leguminosaResumo
O glifosato geralmente resulta em baixo efeito residual no campo. No entanto, em condições específicas de ambiente controlado ou a campo, as doses podem ser determinantes e impactar na germinação e no desenvolvimento inicial de sementes de feijão. Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo avaliar, tanto em condições naturais de cultivo (campo), como em condições controladas (laboratório) a interferência do residual do herbicida glifosato sobre a germinação de plântulas de feijão preto em diferentes intervalos de aplicação. Foram avaliados os intervalos de 21 dias (T1), 14 (T2), 7 (T3) e 0 dias (T4) antes da semeadura, além do Controle (TC), sem aplicação. Analisou-se a Taxa de Germinação (TG), Velocidade de Emergência (VE) e Índice de Velocidade de Emergência (IVE). A campo, apenas VE apresentou diferença significativa (TC, T2, T4 vs. T1, T3), sugerindo influência de fatores ambientais, como a umidade do solo. Em ambiente controlado, os resultados evidenciaram efeito temporal, em que o T4 (aplicação no dia da semeadura) apresentou os menores valores, com redução significativa em todos os parâmetros, enquanto TC e T1 (aplicação mais antecipada) destacaram-se com os maiores valores, o que permite inferir uma possível degradação do glifosato ao longo do tempo e a redução do seu impacto fitotóxico. Conclui-se que aplicações próximas à semeadura comprometem a germinação, reforçando a necessidade de intervalos seguros.
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